Marieta Borges diz que em Fernando de Noronha, tempos atrás, vivia num grande castelo uma rainha branca e loura, de beleza estonteante. Mas um dia, depois que as caravelas começaram a singrar os mares e a ultrapassarem a linha do Equador, chegou o fim da linda mulher. O castelo transformou-se no majestoso Pico e o que mais havia de belo e fantástico sofreu a metamorfose mágica do basalto e dos rochedos. E a alma da mulher vaga pela Ilha nas noites de sexta-feira, seduzindo os homens, atraindo-os para a morada de agora, o já aludido morro do Pico. Uma fenda que se abre na elevação montanhosa engole a gente seduzida pelos encantos da loura. Há quem diga que a estória vem dos tempos dos holandeses ou dos franceses. Mas, a aproximação maior parece ser, mesmo, como dantes comentado, com a sereia do Reno – a Lorelay –, a ninfa das águas, que atrai os barqueiros com as suas cantigas cheias de sortilégios, de bruxarias.
Pereira da Costa, em Folk-Lore Pernambucano, ocupa-se, de igual forma, da Alamôa, mesmo que de forma mais resumida. Refere-se a Gustavo Adolpho, que enfeixou em livro – Risos e Lágrimas – as três lendas de Fernando de Noronha: A Luz do Pico, A Alamôa e O Cajueiro da Cigana. Lendas que o autor ouviu de presidiários “nos seus serões de degredo”. No século XX, porém, Ferreyra dos Santos escreveu um poema sobre a mítica figura, dando ao caso uma conotação amorosa, diferente das observações anteriores. Para o médico escritor, fundador, também, da Academia de Artes e Letras de Pernambuco, da qual foi Presidente, tudo não passava de um crime passional, de um homem que matara uma mulher linda, tomado pelos ciúmes. Mulher cuja alma passou a vagar pela ilha nas noites de sexta-feira. Coberta com seus cabelos louros e desnuda – completamente desnuda – corria pela ilha nas noites de sexta-feira, atentando a cabeça de um prisioneiro, seu algoz. E diz assim: “...Loura Donzela/Alamôa, Alamôa/Sai dos olhos do pobre pecador/Tu que és mulher/Tem pena do homem/Que o crime dele/É crime de amor....”.
Essas lendas todas, e as outras mais, reconhecem origens européias, mas também nasceram das superstições e crenças dos índios ou dos escravos. As lendas são, na verdade, roupagens que os mitos assumem; roupagens diversificadas conforme o lugar e segundo as tradições ou de acordo com as heranças. (*) - Um texto que já estava escrito e que vai publicado para não deixar de atualizar o Blog - peguei essa mania agora -, pois que continuo desajuizado. Minha mãe doente, meu cunhado também e recentemente perdi um primo: Oswaldo da Câmara Pimentel (Vadeco). Fosse vivo o meu pai, diria assim: "É muito tem-tem!" Mas, o Blog é importante em minha vida, razão para agradecer aos que desejarem comentar, neste espaço mesmo ou para pereira@elogica.com.br ou ainda para pereira@gmail.com