O momento de agora, de um amanhecer preguiçoso nos domínios de Aldeia, com a chuva compondo a paisagem de uma quase meia-luz e o frio garantindo o aconchego necessário à reflexão, dedico-me à leitura de um livro especial: "Quando a Ciência Encontra a Religião". Talvez o autor – Ian G. Barbour – realize uma tentativa de resgate de minha fé, tão frágil como é. Ele próprio um entusiasta dessas aproximações modernas entre o fato científico e as posturas religiosas, mais flexíveis e menos rigorosas. Profundo estudioso das relações entre a fenomenologia carregada de ocorrências não explicadas pelos postulados naturais e um Deus que não precisa ser mágico ou bruxo, antes um espírito de absoluta completude, que usa as leis da natureza para criar.
Já na questão da evolução, fruto da observação e das reflexões de Darwin, parece possível crer, firmemente, no processo de aperfeiçoamento das espécies e no surgimento de novos seres, desde as formas mais rudimentares de vida ao homem, sem se afastar da idéia de Deus e das crenças religiosas. É medieval a posição estática em relação ao Universo e há uma tendência moderna por parte dos teólogos em aceitar uma postura dinâmica da criação continua e de um Deus que é imanente à natureza e que também transcende. No século IV, inclusive, como refere Barbour, Santo Agostinho fez um comentário a propósito dos choques registrados entre a interpretação literal da Bíblia e o conhecimento provado, recomendando, em caso de conflito, uma interpretação metafórica do livro sagrado.(*) - Crônica de minhas tentativas de retorno ao seio da religião católica, depois de anos e mais anos afastado. Comente: pereira@elogica.com.br ou pereira.gj@gj@gmail.com