De meu pai recebi o exemplo de dedicação à família, do trabalho como forma de sustento e manutenção, como também recolhi as lições da ética e da moral, as minhas diretrizes no hoje da vida, diante dos impasses que se apresentam num cotidiano, às vezes, atribulado. Ainda hoje me surpreendo usando o palavreado dele. Sou um pouco ele na fala do cotidiano e nos momentos públicos em que devo me pronunciar. E de minha mãe assisti à abnegação diante da prole, frente às dificuldades de saúde ou quando os primeiros impasses nas relações de amizade ou de amor abalavam a integridade de meu ser. E pela vida a fora fui captando, aqui e ali, as formas diferentes de viver e de conviver dos meus semelhantes, fazendo questão de absorver o que havia de bom e rechaçar os defeitos que também estão presentes no existir de cada um.
Os meus mestres tiveram uma influência decisiva em mim. Fui colhendo peculiaridades em cada um deles, desde a simples forma de se comunicarem à profundidade com que transmitiam o saber. Talvez desejasse reunir o verdadeiro caleidoscópio de predicados ou de qualidades num único ser humano. É claro que não consegui, mas devo confessar, há alguma coisa de cada um na minha integralidade. Por isso, dedico esse texto hoje ao Prof. Aluizio Bezerra Coutinho, um dos homens de inteligência mais acurada e de cultura mais apurada em Pernambuco, durante o correr do século XX. Poucos me impressionaram tanto quanto ele! Um médico que se apresentava como biólogo; um biólogo que discutia também aspectos culturais da criatura. E um humanista com ares de cientista.
Bezerra Coutinho, homem de ciência e antecipador de um pensamento biológico próprio, era um humanista na mais larga acepção da palavra. Humanista porque capaz de escrever uma tese sobre a casa tropical, mal terminara o seu curso médico ou porque escrevera, com 22 anos somente, um ensaio sobre o Romantismo. E pela devoção que emprestava às outras manifestações do espírito. Foi um homem voltado para as coisas da natureza, cultivando em sua casa orquídeas e outras plantas assemelhadas. Cultor do bom vinho e ouvinte da boa música. Tudo isso junto, a matemática de seus cálculos, a ecologia de suas antecipações, a patologia de suas aulas e a sistemática investigação dos fenômenos científicos, com a crítica devida a determinados conceitos, fizeram do homem um ser múltiplo, plural, nessa singularidade do comum. (*) - Uma crônica sobre as influências que recebi na vida. As de meu pai e aquelas de meus mestres, dentre os quais Aluizio Bezerra Coutinho. Mas outros também, como Ruy João Marques, Amaury Coutinho e Salomão Kelner. O último muito de meus convívios e de minhas convivências. A esses o texto de agora. Comente no espaço mesmo do Blog ou para pereira@elogica.com.br ou para pereira.gj@gmail.com
De fato o Professor Bezerra Coutinho foi uma das maiores e brilhantes inteligencias que conheci. Os seus ensinamentos quando dele fui aluno na Medicina da UFPE nos cinquenta me abriram a mente para possibilidades que nunca me foram mencionadas.
ResponderExcluirExcepcional um trabalho que apresentou no congrresso de Patologia em Belo Horizonte explicando em bases matematicas a etiopatogenia do cancer.
Gostaria de ter uma copia do referido trabalho o que seria otima publicacao para seu blog.
Ayrton Queiroga.