segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Caçador de Aranhas Asquerosas

Ao leitor eu justifico, com especial carinho e muito respeito, o fato de ter que deixar de lado os temas de minha viagem ao Rio de Janeiro. Ainda há o que tratar por aqui, seja da viagem propriamente ou dos livros que comprei por lá, mas sucede que chegou em terras tupiniquins o meu neto, Pablo de prenome, vindo das distâncias espanholas e eu fiquei dedicado à criança, dedicação exclusiva ao menino. Por isso, volto ao Blog com uma crônica especialmente voltada para ele. Depois, quando cessar esta fase aguda da netite, como chamava meu pai a doença do avô, hei de retomar a temática.

A verdade é que tendo o avião estacionado no pátio do aeroporto, liberada a criança e sua mãe pela fiscalização da aduana e recebidos pelas irmãs e tias no saguão, enquanto nós outros, avô e avó, preparávamos a casa em Aldeia para recebê-los, o jovem não hesitou e indagou de pronto: “Cadê a vovó?”. A vovó desde a vez passada que é o xodó dele, porque passa o tempo todo de suas folgas disponível, a ponto de na solenidade de minha posse na Academia Pernambucana de Letras, dizer, em alto e bom som, quando batiam palmas para o meu discurso: “Viva vovó!”. Um merecido viva para quem como ela tanto vibrou com a minha festejada entrada.

Mas por aqui a rotina tem sido braba, pois que desde as 5 da manhã já estamos a postos, para o lúdico de suas travessuras. “Vovô: vamos colocar comida para os passarinhos!”. E a foi comigo levar o mamão que os pássaros bicam o dia inteirinho, sendo do timbu o que sobra à noite. Passou a manhã quase toda deitado na grama do jardim, como se aquele capim fosse a sua floresta particular. O que chama a atenção, porém, é que ele se intitula “Caçador de Aranhas Asquerosas” e com um cipó na mão, à conta de uma espada, bate com força em cada obstáculo que encontra. O caçador, inclusive, só não destruiu uma escultura comprada em artesão importalog cnte, porque a madeira é daquela que cupim não rói, como dizia minha mãe nos tempos de lucidez.

Dia desses quando saímos à caça, diante de minha insistência para voltarmos, disse: “Senta ai vovô!”. E me apontou uma madeira que estava na via principal aqui o Condomínio. Hoje pela manhã fomos ao açude grande e ele entrou na piscina de águas frias do lugar. Ficou tremendo de tanto frio, tiritando, até ser devidamente enxuto pela mãe.

É isso! Morrem uns e nascem outros! É o grande carrossel da vida, alguns não suportam a velocidade do girar constante e caem 

(*) O Blog, criado aqui, no amanhecer sereno de Aldeia, vai publicado sem ilustração alguma, sequer uma foto do Caçador, porque a lentidão da Internet é tanta que não permitiu isso. O leitor que desejar comente no espaço mesmo do Blog ou o faça para os e-mails: pereira@elogica.com.br ou pereira.gj@gmail.com  






segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Trono Escatológico

Eu estava aqui, no recesso do lar, dizia-se outrora, refletindo sobre as grandes mudanças do século XX, para o livro que venho escrevendo há anos, mas que não consigo publicá-lo, porque toda vez que penso nessa iniciativa o texto já está desatualizado. As coisas evoluem numa velocidade extraordinária. Incrível isso! Mas, lembrava o Palácio Imperial que visitei em Petrópolis e fazia a comparação do ontem das coisas com o hoje dos dias, até porque comprei e estou lendo o livro de Mary Del Priori, intitulado: “Histórias Íntimas: sexualidade e erotismo na história do Brasil”. Livro que se ocupa de muitos detalhes da sociedade colonial, além da sexualidade e do erotismo. Estou lendo também as cartas do Imperador Pedro I à Marquesa de Santos! Eita bichinho impulsivo danado! Puxou e aprendeu bem a lição com Carlota Joaquina, mulher de Dom João VI e a mãe dele.

Admirou-me muito o fato de encontrar, como era no pretérito, a cozinha fora do edifício principal do Palácio. Dali as refeições seguiam para a sala de jantar em depósitos especiais, para que não esfriassem. Pois é, nesse tempo e eu ainda vi, usava-se a lenha ou o carvão vegetal e a fumaça por certo que manchava a pintura da dependência e de mais a mais o calor era infernal. Só os escravos – coitados! – suportavam temperaturas assim, tão altas. Hoje os fogões são de cerâmica vitrificada, como vi em Espanha, em casa de filha minha e praticamente não oferecem risco. Eu ainda uso o gás de conzinha encanado no prédio. Não preciso mais de bujão, esse horror dos tempos.

Acho, no entanto, que o banheiro foi o cômodo que mais evoluiu. Era fora de casa, inicialmente, trazendo enorme desconforto para quem dele se utilizasse. Imagine o leitor, acordar altas horas da noite, para se servir de um sanitário fora dos limites domésticos ou quase isso! É verdade que existiam os urinóis, os quais amanheciam cheios de urina, quando não de fezes também. Ainda peguei isso! A minha avó usava religiosamente a sua peça, grande e larga. Pela manhã eram os empregados ou os escravos antes da abolição que tinham como obrigação jogar na rua o excremento dos seus patrões ou dos seus senhores. Claro que com a minha avó já era diferente! Há por lá, em Petrópolis, assento, que talvez tenha sido a forma mais desenvolvida para a época de se usar o sanitário. Uma cadeira aberta, onde existia um vaso, que podia ser retirado e reposto, à necessidade do cliente.

Outra coisa que também avançou e muito foram os ferros de passar. No começo eram peças que esquentadas faziam o estirar dos tecidos, depois um material com brasa em seu interior, até os modernos, que ligados à eletricidade são capazes de passar a roupa, inclusive borrifando o pano, sem precisar jogar água como no passado, quando a empregada exercia o mister com um molambo molhado a jogar água no tecido. Por fim, a máquina de lavar, uma beleza, porque evita uma liturgia que seguida como era levava horas para o quarar e o secar. Ninguém precisa mais quarar nada, os jovens desconhecem o significado do vocábulo.

Mas, o que mais me impressionou foi o trono do Imperador; trono escatológico.

(*) O Blog vem sendo publicado no jornal virtual A Besta Fubana. O texto de hoje dá continuidade aos que já escrevi sobre minha viagem ao Rio, uma reciclagem cultural disse quando as divulguei. O leitor que desejar comente no espaço mesmo do Blog ou o faça para pereira.gj@gmail. ou pereira@elogica.com.br