Precisei arrumar o meu gabinete! Afinal, o meu neto Pablo de prenome, minha filha Fabiana e o meu genro Gonzalo estavam pra chegar e minha mulher alertou para a necessidade de se ter a casa nos trinques. Foi uma mão de obra, francamente, esse exercício de relocar ou de realocar livros, papeis e textos dando uma certa ordem, quando a desordem facilita o meu trabalho de escrever e de reescrever os meus artigos e os meus livros. Veja só o leitor! Mas, fiz! O interessante é que no meio das minhas coisas encontrei fotos antigas enviadas por meu pai à sua irmã Dalila, em Juiz de Fora (MG). Dentre essas, uma chamou-me atenção: a de minha avó paterna. Já conhecia a pose da matriarca, mas nunca tinha parado e atentado para os detalhes. Embora tenha me detido, particularmente, na genealogia de meu neto Pablo. Talvez eu esteja me arvorando em campos alheios; sociológicos campos de outros autores e de outros estudiosos. Mas, andei meditando a propósito.
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A verdade é que a figura de minha avó, Beatriz Pereira, representa neste retrato, exatamente, a viúva de outros tempos, daqueles anos 50 mesmo, além de que o seu biótipo era, justamente, o comum das senhoras do chamado pós-guerra: matrona, gorda. O preto de seu vestido – talvez fosse um azul muito escuro – representa o traje de que se valeu por toda a viuvez. Era um hábito, depois do falecimento do marido, a mulher manter a vinculação marital assim, expondo a toda gente a sua viuvez. Note-se mais que é um vestido longo, chegando quase aos pés. O broche que traz no decote era um adereço comum, usado frequentemente. Por vezes, esse adereço trazia a fotografia do esposo morto ou trazia os cabelos de um dos filhos, do primogênito ou de um rebento que falecera precocemente, deixando saudades. Veja o leitor que ela traz na mão esquerda, no dedo anular, um anel ou uma aliança, já não lembro. Era costume usar as duas alianças, a de seu uso pessoal e a do morto. Não sei, porque não lembro, se ela fazia assim! Ao lado a fotografia de Manoel Varela do Nascimento, avô de Beatriz e Barão do Ceará-Mirim. No caso, pentavô de Pablo. Feio este homem!
(*) Ao meu paciente leitor adianto que já tenho uma nova história, em tudo pitoresca, para o espaço. Narrativa que me foi passada por "Boca-da-Noite", figurante interessante nessas paragens virtuais da crônica quase um conto. Comente se desejar! O texto é dedicado a Pablo, meu neto, espanhol e brasileiro, brasileiro e espanhol, ainda analfabeto, porque com 8 meses de idade não poderia ser diferente. Viva!