
Que coisa boa ter avós. Eu me lembro muito dos meus. Do avô materno e da avó paterna. Aquele era uma figura ótima e eu seu afilhado. No dia de meu aniversário, esquecendo a data em função das inúmeras atribulações de sua vida, era lembrado por um amigo da rua e ai, pode crer o leitor, eu ficava abonado com o dinheiro que tirava de sua carteira. Foi ele que me fez conhecer o mar. E eu meio tonto com o movimento das ondas, ouvi dele a explicação de que aquilo passaria. E, é claro, passou! A minha avó, também, era uma personagem que nunca poderia dispensar em minhas lembranças. Foi ela que disse a meu pai, diante de uma namorada que pintava os olhos: “Geraldo está namorando com uma moleca de rua! Imagine que pinta os olhos!”. Veja só! Tratava-me por Geraldinho, no comum dos dias e não admitia que batessem em mim.
Pois é, amigo leitor, está chegando uma neta, a filha de minha filha Patrícia e de seu marido Cláudio, a segunda na linhagem parental. Tem quase três meses na barriga, mas é de uma movimentação tão grande, que parece com o avô aqui, sem parar o dia inteirinho, procurando o que fazer. Não sei bem o que faz naquele ambiente hídrico, vivendo assim como se fora um peixe – é quase isso! – se alimentando do que lhe chega pelo cordão umbilical e de restos celulares que circulam por lá, na intimidade uterina. E os recursos da modernidade já mostram o quanto esse bebê que vai surgindo tem de bom e saudável. Vale conferir.
Nome não tem ainda, porque como sempre acontece, há uma série de prenomes que as pessoas buscam em diversos lugares, na Internet hoje, para nomear o ser que vai chegando. É um movimento grande de gente que liga e propõe, de outras que sendo tias do rebento que vai emergindo têm uma proposta a mais. Assim foi com a minha primogênita, que tem o nome de Fabiana, mas que nasceu Adriana e assim saiu nas páginas. Depois se trocou o prenome. Nem sei de qual gostava mais! Eu tive um irmão que morreu muito cedo e nome não chegou a ter. E a minha mulher, a mesma em quatro longas décadas, perdeu quatro – um horror! –, mas no fim pariu três belíssimas moças.
(*) - Homenagem que faço à neta que vai chegando. Não lhe tenho ainda o nome, mas já a tenho no coração de meus afetos. O texto é reproduzido no Jornal A Besta Fubana. Desejando o leitor, comente a crônica no espaço mesmo do Blog ou o faça para os e-mails pereira@elogica.com.br e pereira.gj@gmail.com