A organização urbana é surpreendente, cidades limpas e povo educado, calçadas sem buracos, permitindo o circular da gente idosa. Bondes que trafegam por toda urbe, dispondo de razoável conforto. Vi um congestionamento ou outro, mas de proporções mínimas, dispensáveis. Sem falar na circulação de pessoas pedalando, simplesmente. Na Dinamarca, por exemplo, a guia mostrou o parlamento e o lugar em que estavam as bicicletas dos deputados. Até a Rainha ou seu Consorte são vistos assim, pelas ruas, na condição peculiar e temporária de ciclistas.
Praga, que está no centro da Europa, atrai gente do continente todo, é belíssima. É de tal forma antiga, que há uma referência ao desentendimento entre o príncipe Venceslau e seu irmão Boleslau, imagine o leitor, no ano 935. Um passeio no rio Vitava mostra a cidade debruçada n’água, com um casario gótico. Casas quase hídricas, com portas e janelas que se limitam com a correnteza e permitem à gente da cidade admirar o bucólico da noite, com o sol ainda de pé. Lanchas e barcos ancorados diante das residências, enquanto outros navegam, rio acima e rio abaixo, numa curtição possível da vida.
(*) - Uma crônica publicada hoje (5 de junho de 2012) no Jornal do Commercio do Recife. Um texto sobre algumas de minhas experiências no Leste Europeu e outras vivências no mar Báltico. Lugares que nunca imaginei que iria. Artigo reproduzido, de hábito, no Jornal Besta Fubana.