


De outra feita, sentado na varanda de casa – um apartamento é claro –, em boa companhia de um de meus genros, que agora mora no Ceará, degustando uma lagosta de Itamaracá e alguns dos camarões que me dera Moisés, o homem bíblico, que levou 40 anos para consertar meu relógio, tive uma idéia. Peguei a invenção de Grahan Bell, hoje sem a menor necessidade de fio, e abordei o vendedor de uma farmácia próxima: “Bom dia! O senhor está sabendo das novas exigências para as drogarias e outros estabelecimentos congêneres?”. O moço interessou-se em conhecer os detalhes e eu, prontamente expliquei: “É que passa a ser obrigatória a venda de caixões de defunto em farmácias!”. E a resposta foi ótima: “Essa só com o gerente!”. Mas, o líder dos empregados não chegou a atender a chamada. Depois, o estabelecimento fechou e eu fiquei cabreiro: “Será que foi por causa de mim?”. Mas, não foi não!

Ela era irmã de minha avó paterna e ambas tinham a vista muito comprometida – não se operava catarata com facilidade –, de tal forma que tendo plantado alguns mamoeiros no quintal, eu tive o azar de quebrar uma dessas mudas. Imediatamente, usei uma fita adesiva – Durex à época – para fazer a emenda e ela, já muito idosa, ia todas as manhãs ver a plantinha. E dizia: “Mas, está murchinha! Está sentindo ter sido mudada de lugar!”. E a fruteira capotou e não se teve daquela planta fruto algum. Pior Moisés, o bíblico, que tendo atirado com um bodoque e morto um canário, admoestado por ela, por minha avó, prometeu ressuscitar o pássaro cantor e trouxe de casa um similar. E a velhinha acreditou!

Nós dois, eu o bíblico, vamos terminar pagando por tudo isso nas labaredas do purgatório.
(*) Encerro o texto comunicando a todas e a todos que fui contemplado com o 1º lugar no XXII Congresso Brasileiro de Médicos Escritores, na modalidade "Crônicas". Isso saciou as minhas medidas, isto é, elevou a auto-estima aos píncaros.
(**) - Crônica que ofereço a Geraldo Bosco, fraterno companheiro de outros momentos e de outras vivências. E, naturalmente, ofereço a Moisés, o bíblico, que levou 40 anos para consertar o meu relógio de menino e conseguiu a proeza de ressuscitar o canário. À tia e à avó, com as minhas escusas: eu era feliz e não sabia! Comente aqui ou comente lá - pereira@elogica.com.br - ou não comente, não diga nada, cale-se.