Acabo de receber um informativo, dando conta de
nosso encontro – dos colegas médicos de 1968 – de final de ano. São 45 anos de
formados; quatro décadas e meia dessa trajetória de dedicação ao próximo. De minha
parte, digo de logo que pendurei as chuteiras e estou trabalhando para o Conselho
Estadual de Cultura, exercendo o meu mister literário e as minhas divagações históricas na Academia de Letras. Não posso me queixar de ócio, tampouco de falta do que fazer. Hoje
sou mais ocupado que no tempo de meus afazeres marcados pela rigidez dos horários.
Faço o que gosto e pronto!
Recebi o programa todo – ainda bem! –, trazendo
inclusive a relação nominal dos colegas participantes. Esqueceram de um detalhe
crucial, a respectiva lista dos apelidos. Ora, bastaria grafar o nome e junto o
cognome do então concluinte. O meu, adianto de pronto, para evitar desgosto: Pluto. É
que numa certa vez, passei pulando – hoje não pulo mais – de um degrau a outro
do anfiteatro de anatomia e estava por perto o colega Ciro, de quem não tenho
noticias, sendo dele a observação: “Parece aquele cachorro Pluto pulando!”. E por
Pluto ficou! Uma colega muito meiga me cumprimentava com carinho: “Olá Pluto!”.
Ao que se dizia, pronuncie o “L” para evitar dúvidas.

Estará presente ao evento o nosso popularíssimo Catarro,
figura muito chegada aos colegas e merecedora de toda reverência. O meu
fraterno amigo Nelito, morador, por anos a fio, da rua Fidelis Moliterno, onde,
durante um velório, um bêbado abraçou-se com o esquife e fez desabar todo o
aparato desse momento triste, quebrando o caixão. Interessante, não vi o nome
do grande Biu das Negras do Derby. Não vai? É capaz! Ora, ele nunca falta! Não vi,
de igual forma, o nome de Marcelo Macaco, promovido a Mico Leão Dourado, em função
da cabeleira branca que passou a lhe ornar a cabeça. Foi o Jia, que consultado,
lembrou a nova denominação desse Marcelo que conviveu esses anos todos conosco.
Vamos contar com a companhia do grande Fofa,
figura quase folclórica desses encontros quinquenais. E de Simão, velho
companheiro de Gilson Paes Barreto, que lhe devota especial afeição. Das meninas – que meninas? – não falo
e não faço referência aos apelidos, porque as respeito antes de tudo e de mais a
mais, confesso, a hesitação da ética me acossa de perto. Há muita gente por lembrar; gente que foi dessa pra melhor - será? -, mas não custa oferecer a crônica a Cachorrão e a Defunto, tão próximo de nós todos.
E por ai vai!